quarta-feira, 7 de maio de 2008

Whitesnake – Citibank Hall – Rio de Janeiro, RJ – 07/05/2008

Texto: Rodrigo Werneck
Fotos: Henri Matthes

Quando ninguém mais esperava, eis que somente em 2008 seríamos enfim presenteados com uma apresentação completa do Whitesnake em solo brasileiro. Após os lendários concertos no Rock In Rio em 1985, e outros no Monsters of Rock há cerca de 10 anos trás e abrindo para o Judas Priest em 2005, finalmente shows de (quase) 2 horas de duração foram agendados, dentro da turnê de divulgação do novo disco de estúdio da banda, “Good To Be Bad”.

David Coverdale montou ao seu redor um time vencedor para o acompanhar em suas atuais aventuras. Sem o mesmo poder de outrora e visando um outro público e estilo, não conta mais com o luxo de ter ao seu lado medalhões como os bateristas Ian Paice, Cozy Powell (RIP), Aynsley Dunbar e Tommy Aldridge, ou os tecladistas Jon Lord e Don Airey, ou os baixistas Neil Murray, Colin Hodgkinson, Rudy Sarzo e Tony Franklin, ou ainda os guitarristas Mel Galley, Bernie Marsden, Micky Moody, Steve Vai, Vivian Campbell e John Sykes, todos ex-integrantes do grupo nesses 30 anos de sua história, e que deixaram em maior ou menor grau as suas assinaturas no estilo da banda.

Em 2002, quando Coverdale retornou com as atividades do Whitesnake em tempo integral, montou um time centrado nele próprio, mais o guitarrista Doug Aldrich (ex-Dio), que virou seu novo parceiro de composições, e ainda o segundo guitarrista Reb Beach (ex-Dokken, Alice Cooper e Winger) e o tecladista Timothy Drury (ex-Eagles e Bryan Adams), esses últimos dois contribuindo também enormemente com os vocais nos shows. Para completar o sexteto, fizeram parte inicialmente Marco Mendoza (baixo) e Tommy Aldridge (bateria), este retornando ao grupo. Tal “cozinha” já vinha se apresentando com outros grupos, como Thin Lizzy e Ted Nugent, e portanto já se juntaram em ponto de bala. Após algum tempo, porém, Mendoza deixou a banda e foi substituído pelo novato Uriah Duffy, cujo nome é uma homenagem de seus pais ao Uriah Heep (seu irmão se chama “Yes”, em outra homenagem, acreditem!). Nessa época (em 2005), vieram se apresentar no Brasil em shows de abertura para o Judas Priest, conforme mencionado anteriormente, sendo que as apresentações de 70 minutos incendiaram a platéia para o Priest, que já “pegou a bola na marca do pênalti”. Pouco tempo depois, Aldridge saiu e foi substituído por Chris Frazier (ex-Steve Vai), e essa formação foi a que veio ao Brasil dessa vez.

A boa divulgação feita pela produção dos shows proporcionou um ótimo público nessa noite de quarta-feira no Rio de Janeiro. Mais de 3.000 pessoas compareceram, sendo que nessa configuração o Citibank Hall fica extremamente confortável, com a pista cheia porém não lotada, permitindo que as pessoas se locomovam e ao mesmo tempo que se crie uma boa sensação de multidão à frente do palco, agitando a banda que se apresenta.

E, portanto, 10 minutos após as 22 horas as luzes se apagaram e a banda adentrou o palco, que estava devidamente decorado com “backdrop” e outros detalhes, fazendo com que a platéia rapidamente entrasse no clima do espetáculo. A música escolhida para a abertura, “Best Years”, não foi das melhores (ao contrário de 2005, quando começaram com “Burn”), mas como o Whitesnake está promovendo seu novo CD, era de se esperar que fossem incluir alguns números novos. Além dessa, levaram ainda as também novas “Can You Hear The Wind Blow” e “Lay Down Your Love”, todas boas músicas, mas sem serem merecedoras de maiores adjetivos. Neste ponto, um parêntese: o Whitesnake sempre foi uma banda consistente, que lançou vários discos bons, mas nunca de fato despontou como um dos grandes ícones do hard rock. Somente atingiu grande sucesso quando se sujeitou a um som mais comercial, dentro do chamado “hair metal”, embora tenha se destacado nessa época em meio à pasmaceira geral, até por contar com excelentes músicos em suas hostes.

Bem, voltando ao show, o repertório buscou satisfazer tanto aos fãs mais antigos (da época mais hard rock/rhythm’n’blues) quanto aos de gerações mais novas (já da fase mais heavy metal). Isso foi facilmente notável quando os quarentões e cinqüentões claramente curtiam músicas como “Ain't No Love In the Heart of the City” (do primeiro disco “Snakebite”, de 1978), “Here I Go Again” e “Crying In The Rain” (ambas do “Saints & Sinners”, de 1982), enquanto que o pessoal mais novo cantou junto em temas como a xaroposa “Is This Love” e as mais pesadas “Give Me All Your Love Tonight” e “Bad Boys”. Bem, na realidade todas essas cinco últimas fizeram parte, em gravações originais ou regravações, do premiado disco “1987” (também conhecido como “Whitesnake”). Já “Fool For Your Loving” satisfez a ambas “facções”, pois embora seja originalmente do disco "Ready an' Willing" (1980), foi regravada em 1989 para o álbum “Slip Of The Tongue”.

A banda atual está bastante entrosada, com a dupla de guitarristas tendo bastante destaque. Doug Aldrich assume um papel mais central, como primeiro guitarrista propriamente dito, e acabou por desenvolver um estilo um pouco “fritador” demais. É uma pena, pois ele é um excelente guitarrista e não precisa apelar para a velocidade extrema para provar isso. Basta assistir a algum DVD do Dio com ele, para ver como seu estilo se modificou nos últimos tempos. Mesmo assim, teve bons momentos, como em “Crying In The Rain”. Reb Beach tocou com mais feeling, embora seja também um guitarrista muito técnico, em alguns momentos lembrando o estilo de Steve Vai. Além disso, canta muito bem. A dupla de guitarristas levou um solo no meio do show, um dueto/duelo que emendou na instrumental “Snake Dance”, e que acabou sendo um bom momento, embora eu considere particularmente solos de uma forma geral um desperdício de tempo. E desperdício mesmo acabou sendo o solo de bateria de Chris Frazier, realmente fraco, em especial em comparação ao de Tommy Aldridge por aqui, 2 anos e meio antes (isso sem falar no de Cozy Powell no Rock In Rio, é claro). Uriah Duffy é um baixista correto, sólido, mas que não tem muito espaço para mostrar serventia, resumindo-se a bases. De qualquer forma, tem uma boa presença de palco e completa bem o time. Finalmente, Timothy Drury tem um papel de destaque porque, embora suas partes de teclados sejam secundárias (com a exceção sendo durante os temas do Deep Purple), sua voz segura a peteca em diversas partes do concerto.

Já David Coverdale demonstrou estar em forma. Claro que seu vocal não é mais o mesmo e por vezes se mostra mais “rasgado” do que antigamente, mas o fato é que ele convenceu a todos os presentes com sua boa forma, carisma e simpatia. Joga o pedestal do microfone para o alto, faz poses pseudo-eróticas, leva o público nas mãos, mas se poupa sempre que possível, seja deixando os vocais a cargo de Beach, Drury e Duffy, ou mesmo conclamando o público a cantar nos números mais conhecidos. “Love Ain’t No Stranger” foi um desses momentos, antes da qual ele homenageou seu antigo parceiro de Whitesnake, o guitarrista Mel Galley (co-autor da música), que no momento padece em casa em função de um câncer em estágio terminal. Aqui, uma curiosidade: Mel, apesar de seu estado atual, vem tentando manter o alto astral até onde possível, e recentemente recuperou sua antiga e clássica guitarra Les Paul dos tempos de Trapeze e Whitesnake, e montou um verdadeiro pub em casa, de forma que consiga permanecer a maior parte do tempo “sedado” de alguma maneira (segundo ele, “parece até o início do Whitesnake”), para melhor suportar as dores.

Outro ponto de destaque foi a versão acústica de “The Deeper The Love”,
bem no estilo do disco “Starkers In Tokyo”, somente com o vocal de Coverdale e o violão de cordas de aço de Aldrich. Assim, fica menos “comercial” que a versão com banda integral, e cria um clima intimista com a platéia. Clima esse que aumentou ainda mais na versão a cappella de “Soldier of Fortune”, do Deep Purple, que David levou sozinho no palco logo após o petardo “Still of The Night”, já no bis. Embora a voz deixe um pouco a desejar nessa hora, mesmo assim ficou legal e o público adorou. O risco corrido valeu a pena, pois todos estavam afeitos à idéia de dar um desconto a eventuais (pequenas) falhas na voz.

Para fechar a noite, nada melhor do que a já tradicional versão de “Burn”, com “Stormbringer” jogada a seu meio (ambas do Deep Purple). Nesse momento, três coisas ficaram claras: a superioridade do Purple em termos de composição, em comparação ao Whitesnake, exigindo muito mais de todos da banda; a evidência de que a “fritação guitarrística” não se aplica a solos classudos como os de Ritchie Blackmore; e a constatação de que não é qualquer um que toca as partes originais de Ian Paice na bateria (Frazier se saiu bem no show todo, mas aqui deixou a desejar, sem conseguir emular as viradas que “infestam” a canção em seu arranjo original). Mesmo assim, foi uma ótima escolha para fazer com que o público saísse com sabor de satisfação, e ansiando por um breve retorno.

Setlist:

- Best Years
- Fool For Your Loving
- Bad Boys
- Can You Hear The Wind Blow
- Love Ain't No Stranger
- Lay Down Your Love
- Is This Love
- Guitar solo / Snake Dance
- Crying In The Rain (incl. drum solo)
- Ain't No Love In the Heart of the City
- The Deeper The Love
- Give Me All Your Love Tonight
- Here I Go Again

Bis:
- Still Of The Night
- Soldier Of Fortune
- Burn/Stormbringer

sábado, 5 de abril de 2008

Rod Stewart – HSBC Arena – Rio de Janeiro, RJ – 05/04/2008

Texto: Rodrigo Werneck
Fotos: Marcello Rossi

As gerações mais novas podem não saber, mas Rod Stewart deixou seu nome escrito na história do rock, e com letras capitais. Tendo passado por bandas lendárias como a primeira encarnação do Jeff Beck Group (que influenciou nada mais, nada menos, do que o Led Zeppelin) e o The Faces (com Ron “Rolling Stones” Wood e Kenney “The Who” Jones), lançou ainda excelentes discos solo nos anos 70, antes de enveredar por um caminho mais pop. Mesmo assim, manteve a qualidade nas composições, e esteve sempre acompanhado de bons músicos (como, por exemplo, o exímio baterista Carmine Appice, que também já tocou com Vanilla Fudge, Cactus, Beck Bogert & Appice, Ozzy Osbourne, etc.).

Felizmente, acabamos por receber essa nova visita de Stewart ao país num bom momento. Após gravar nada menos que 4 CDs compostos de “standards” burocráticos, mas efetivos comercialmente falando, Rod finalmente retornou ao rock com o recente disco “Still The Same... Great Rock Classics of Our Time”. Nele, (re)gravou covers de diversos artistas e alguns de seus próprios hits do passado. Tivemos portanto a sorte de vê-lo em sua turnê atual, nessa que foi a sua quarta visita ao país (esteve por aqui em 1985, no primeiro Rock In Rio, depois em 1989 e em 1994, sendo essa última para um show no Réveillon da Praia de Copacabana, RJ).

O local escolhido para o show foi a HSBC Arena, nova opção de médio/grande porte para shows no Rio de Janeiro, para até 15 mil pessoas. Originalmente era chamada de Arena Multiuso e foi amplamente utilizada nos últimos Jogos Pan-Americanos, e a partir daí foi adaptada para usos tanto esportivos quanto musicais, já tendo mostrado seus pontos fortes e fracos. A localização, no extremo da Zona Oeste, torna o acesso um tanto quanto complicado para o grosso do público, que tem que se deslocar das Zonas Sul e Norte, e enfrentar algumas retenções de trânsito pelo caminho. É caro parar o carro no estacionamento interno da Arena (R$ 15), mas existe a opção de se estacionar fora também (por mais módicos, e justos, R$ 2). A organização interna da casa, porém, chama a atenção (positivamente). Há muitos seguranças espalhados, e funcionários cujo único objetivo é o de orientar e informar os presentes. Há uma boa quantidade de bares e caixas para compra tíquetes de bebida e comida. Os banheiros são numerosos, grandes, limpos e bem localizados. Dentro da área destinada aos shows em si, todos os locais proporcionam uma boa visibilidade do palco, e os telões ajudam a se observar detalhes. A qualidade do som é satisfatória, e tende a melhorar já que os shows apenas começaram a ocorrer ali. Se o som estava um pouco baixo para um show de um Ozzy Osbourne da vida (ocorrido 2 dias antes), para o show de Rod Stewart entretanto, cuja faixa de público vai dos 15 aos 75 anos, estava bem adequado, com todos os instrumentos e vozes bem audíveis.

Uma numerosa e eficiente banda foi montada para acompanhar Rod: nada mais, nada menos, do que 12 pessoas. Seis homens (o tecladista Chuck Kentis, o baixista Conrad Korsch, o baterista Dave Palmer, o percussionista Matt O’Connor, e dois guitarristas cujos nomes desconheço) e seis mulheres (a já manjada saxofonista alemã Katja Rieckermann e seus longos pares de pernas, a violinista/bandolinista J'Anna Jacoby, a guitarrista de “pedal steel guitar” Robin Ruddy, e três vocalistas de apoio). Fora ainda duas dançarinas que volta e meia apareciam no palco para “apimentar” alguns números.

E portanto, às 22h em ponto, eis que surge a trupe no palco, configurando uma realidade que torcemos para que seja uma tendência no Rio: a pontualidade. Num palco limpo, sem monitores (todos usavam “ear plugs”), e com a gigantesca reprodução do símbolo do Celtic Football Club (clube de futebol escocês para o qual Rod torce fervorosamente) estampada no chão, rapidamente o público de cerca de 9.500 pessoas foi conquistado. Aliás, foi quase uma lotação, já que 10.000 ingressos foram colocados à venda, numa configuração com assentos para todos os presentes, sem uma pista propriamente dita. Tais assentos foram, no entanto, na maior parte do tempo ignorados pelo público, mais interessado em dançar e agitar.

O concerto foi dividido em duas partes. A primeira, mais calma e contendo mais baladas, trouxe a banda com um figurino tipicamente calcado nos dos bailes dos anos 50 ou 60, incluindo aí anacrônicos paletós reluzentes. À abertura com os hits “It’s A Heartache” e “Some Guys Have All The Luck” seguiram-se, obviamente, mais e mais hits. A tarefa árdua para Stewart não é escolher as músicas que farão parte de um repertório de show, mas sim decidir quais ficarão de fora. Dessa forma, infelizmente não tivemos “Father And Son” e “Every Picture Tells A Story” (que ele vem tocando na turnê), mas fomos brindados com “Tonight's The Night”, “Rhythm of My Heart”, “This Old Heart of Mine”, “Downtown Train”, “The First Cut Is The Deepest” (cover da original de Cat Stevens, e com destaque para o bom solo de guitarra), “Have I Told You Lately”, “Having A Party”, “Have You Ever Seen The Rain” (aquela mesmo, imortalizada por John Fogerty e o Creedence Clearwater Revival), e o fecho da primeira parte com “Fooled Around And Fell In Love”.

Um intervalo de 10 minutos, anunciado em espanhol (!!) no telão, se seguiu, dando direito a uma ida ao banheiro e/ou ao bar. Hora da banda dar uma rápida descansada, e trocar de figurino para o segundo set, mais pesado e também mais descontraído.

O início com “Sweet Little Rock’n’Roller”, de Chuck Berry, nos brindou com um Rod Stewart mais solto, mostrando que está em ótima forma física para os seus 63 anos. Pulou, dançou e agitou, e a voz rouca característica, quase impecável, não apresentou maiores falhas no decorrer do show. Após levarem “Young Turks”, seguiu-se “You're In My Heart”, durante a qual eram passados nos telões vídeos do já mencionado time do coração do cantor, o Celtic. Nessa hora, Rod distribuiu dezenas de bolas de futebol autografadas no decorrer da música, enquanto cantava, marca registrada sua. A cada bola chutada para longe, a platéia ia ao delírio. Truque manjado, mas de efeito. Destaque aqui para o ótimo arranjo privilegiando o uso do violino.

Para descansar do esforço físico de cantar e “jogar futebol” ao mesmo tempo, Stewart deixou o palco para que sua banda brilhasse um pouco. Uma das cantoras de apoio assumiu o vocal principal, e levaram “Proud Mary”, famosa na voz de Tina Turner, amiga de longa data de Rod. Na sua volta ao palco, outro hit, “I Don't Want To Talk About It”, e em seguida “Hot Legs”, ao início da qual foi exibida no telão uma foto de Rod vestido de mulher, gerando calorosa recepção do público, juntamente a várias gargalhadas. Duas dançarinas subiram ao palco nessa hora, fazendo coreografias junto à música. Um detalhe curioso é que nenhuma delas estava dentro do que se poderia considerar como sendo um estereótipo de beleza atual, já que uma era mais gordinha e a outra, magricela. Mesmo assim, o efeito desejado foi obtido. Falando em efeitos, em determinado momento (não me recordo exatamente em qual música), um indivíduo cruzou o palco levando no ombro uma estrutura metálica de sustentação do palco. Qual foi a mensagem, a maioria não pescou, mas talvez o objetivo tenha sido exatamente este.

Chegando à parte final do show, foi a vez da violinista trocar de instrumento e passar para o bandolim, e levarem a ótima “Maggie May”. Lembrando o sucesso do Rock In Rio, Stewart mandou a balada “Sailing”, onde o público tradicionalmente canta o refrão em uníssono. Para abrilhantar o momento ainda mais, um dos guitarristas nos brindou com dois ótimos solos de guitarra, pungentes e bem colocados, tirando um pouco da pecha de balada comercial. Vale a pena ressaltar que o som da guitarra estava literalmente perfeito, nem limpo nem sujo demais.

“Baby Jane” veio a seguir, levantando a galera, e após uma rápida saída para o tradicional retorno para o bis, foi a vez de “Da Ya Think I'm Sexy?”, que contou também com o retorno das dançarinas ao palco. Se a escolha dessa música, cuja melodia principal foi “baseada” em “Taj Mahal”, do Jorge Bem, para encerrar especificamente os shows no Brasil, foi proposital ou não, não se sabe, mas é fato que obteve uma recepção calorosa da platéia, que ao final das quase duas horas de show pôde ir embora plenamente satisfeita para casa.

Rod Stewart mostrou que é possível se fazer um rock mais comercial, porém mantendo a classe. Resta-nos agora torcer para que os boatos de uma reunião do The Faces sejam verdadeiros, e que uma eventual turnê passe por aqui!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Ozzy Osbourne – HSBC Arena – Rio de Janeiro, RJ – 03/04/2008

Texto: Rodrigo Werneck
Fotos: Marcello Rossi

O que mais se pode falar sobre Ozzy Osbourne? Que é uma lenda viva do rock em geral, ou mais especificamente do heavy metal ou do hard rock, ou dos três ao mesmo tempo? Que é uma celebridade televisiva, e se transformou numa personalidade conhecida por quase todos, gostem ou não de sua música? Provavelmente, tudo isso e mais um pouco. Mas o ponto básico é o seguinte: toda essa fama foi construída sobre bases sólidas, que é a carreira de Mr. Madman. Teve lá seus altos e baixos sim, mas foi sempre consistente (e com muito mais altos do que baixos, é bom ressaltar).

Em meio a essa gangorra de emoções, esteve no Brasil em dois festivais: o primeiro Rock In Rio (1985), e 10 anos depois no Monsters of Rock (1995). Na primeira visita (turnê do disco “Bark At The Moon”, de 1983), veio acompanhado de uma super-banda: Jake E. Lee (guitarra), Don Airey (teclados, hoje com o Deep Purple), Bob Daisley (baixo; já tocou com Rainbow, Uriah Heep, entre outros) e Tommy Aldridge (bateria; também tocou com uma pá de gente: Whitesnake, Thin Lizzy, Ted Nugent, etc.). Já na segunda vinda, em 1995 (na turnê do disco “Ozzmosis”), que gerou o que muito provavelmente é até hoje o show mais cheio da história do Metropolitan (atual Citibank Hall) aqui no Rio, vieram o guitarrista Joe Holmes (que substituiu Zakk Wylde por uns tempos na banda), o baixista Geezer Butler (companheiro de Ozzy no Black Sabbath), o baterista Deen Castronovo e o tecladista John Sinclair (ex-Uriah Heep).

Após longos 13 anos portanto, quando poucos poderiam esperar, eis que foi anunciada uma nova turnê pela América do Sul, englobando apenas 2 shows no Brasil (Rio e SP) e promovendo o disco “Black Rain” (2007). E, mais uma vez, com ares de festival, já que Ozzy acabou vindo acompanhado pelas bandas Black Label Society e Korn. Uma espécie de mini-Ozzfest (o festival itinerante de sucesso, que Ozzy vem liderando há vários anos). O local escolhido para o show do Rio dessa vez foi a nova HSBC Arena, que recebeu um ótimo público de 12.000 pessoas, seu recorde de presença até agora.

As pessoas ainda chegavam à Arena, quando iniciou o show do Black Label Society, com um público apenas razoável já presente. Talvez por isso, muito da estrutura da casa estava ainda aparente (concreto e armações metálicas), o que não ajudou de forma alguma à qualidade do som, muito pelo contrário. Some-se a isso o som alto e pesado do BLS, com a guitarra de Zakk Wylde tocada de forma bastante estridente, e o resultado da equação acabou sendo uma maçaroca sonora que somente agradou aos que já conheciam o repertório da banda, o que não foi o meu caso. Como as canções têm também em sua maioria um andamento parecido, com poucas variações, a impressão que dá é que todas eram muito similares. De qualquer forma, os fãs se deleitaram com os constantes solos e trocas de guitarra de Zakk, cortesia da Gibson, sua “endorsee”. Além disso, ele cuidou dos vocais de forma eficiente e correta, porém sem grande brilho. Foi uma apresentação curta, de 45 minutos, mas o BLS deu o seu recado e agitou a galera.

Após um intervalo enxuto (as trocas de palco foram bem organizadas e bastante eficientes), subiu ao palco o Korn. Notava-se entre os presentes que a banda dividia opiniões: alguns adoravam, outros odiavam, alguns eram indiferentes, e outros ainda se divertiram mesmo sem ter se impressionado muito com o som. Uma boa amostra disso foi que as áreas próximas aos bares ficaram cheias durante todo o show (embora a pista e as arquibancadas também estivessem bem recheadas, é justo ressaltar). As guitarras de 7 cordas com afinação mais baixa cria um clima bem pesado, auxiliadas por uma iluminação adequada e uma qualidade sonora já melhor que a do BLS (o público já mais numeroso ajudou a “esquentar” a sonoridade da casa, e certamente os técnicos de som foram se encontrando com o passar do tempo). O som “nu-metal”, misturando heavy metal com hip hop, não me atrai particularmente, logo dei uma conferida mas não tenho condições de analisar o show como um todo. Esperava ouvir o cover de “Another Brick In The Wall” (Pink Floyd), mas o máximo que rolou foi uma citação de “We Will Rock You”, do Queen. Digno de menção é também o pedestal do microfone usado pelo vocalista Jonathan Davis, uma bela obra de arte do artista suíço H.R. Giger, que se notabilizou principalmente pela capa do disco “Brain Salad Surgery” (do Emerson Lake & Palmer) e pelos figurinos do filme “Alien”, misturando sempre um visual futurístico com cenas de terror (e eventuais e veladas referências eróticas).

Apesar do show de Ozzy especificamente ter sido anunciado para ter início às 23h, o que acabou ocorrendo foi que às 22:15h teve início o espetáculo. Quem se programou em função do que estava escrito no ingresso, se deu mal e perdeu boa parte do show. Mas vamos ao que interessa. Com as luzes ainda acesas, pôde-se ouvir pelos PA’s a voz de Ozzy atiçando o público, conclamando todos a fazer corinhos e a gritar, aumentando assim o nível de excitação geral. Alguns chegaram a duvidar que fosse mesmo ele, ou a pensar que se tratasse de uma gravação com a sua voz, mas pelo grau de interação em função da resposta do público, ficou claro que era a figura mesmo. Em seguida, apagaram-se as luzes e o tradicional vídeo contendo fragmentos de filmes e séries de sucesso, e inserindo o próprio Ozzy no contexto, surgiu nos telões e gerou as esperadas gargalhadas e aplausos. Cenas de “Piratas do Caribe”, “Lost”, “The Office”, “Os Sopranos”, etc., foram se sucedendo, até que o telão se encheu de cruzes e o P.A. iniciou a tocar a indefectível “Carmina Burana”, de Carl Orff, que antecedeu como usual a entrada do grupo.

Como o repertório foi fartamente comentado de antemão, poucas foram as surpresas. A abertura com a nova “I Don’t Wanna Stop” mostrou que o disco mais recente (o já citado “Black Rain”) já é bem conhecido do público brasileiro, e seu pique foi adequado para o início do show. Na realidade, pela excitação da maioria dos presentes, Ozzy poderia ter tocado qualquer coisa que o resultado teria sido positivo. Seguiu-se uma série de clássicos da carreira solo do vocalista: “Bark At The Moon” (da era Jake Lee), “Suicide Solution” e Mr. Crowley (ambas da era Randy Rhoads). Vale aqui um parêntese: Ozzy esteve sempre acompanhado de ótimos guitarristas em sua carreira solo, e na minha humilde opinião Zakk fica abaixo somente de Rhoads (RIP) e Lee. Anda um pouco presepeiro ultimamente, mas a garotada gosta de firulas. De qualquer forma, é capaz de emular os solos de Lee e Rhoads com absoluta precisão (sem contar com os seus próprios, claro). A “cozinha”, formada por Rob “Blasko” Nicholson (baixo, ex-Prong, Danzig, Rob Zombie) e Mike Bordin (bateria, ex-Faith No More), segurou a peteca muito bem, e se não chegou a brilhar, pelo menos manteve o nível de qualidade lá no alto. Por fim, o tecladista Adam Wakeman, filho de ninguém mais, ninguém menos, que Rick Wakeman, tecladista virtuose mais conhecido por seu trabalho no Yes, mas que ostenta longa carreira solo e já tocou também com artistas que vão de David Bowie a Strawbs, além de ter participado de discos tanto do Sabbath quanto do próprio Ozzy. Um detalhe curioso: outro filho de Rick, Oliver Wakeman (irmão mais velho de Adam e também tecladista), é quem irá excursionar com o Yes na turnê de 40 anos do grupo, substituindo o pai. Mas isso já é outra estória...

Voltemos ao show. Mais uma música nova se seguiu, “Not Going Away”, que com o seu refrão cativante não deixou nada a desejar em comparação ao material antigo. É verdade que as coisas viriam a esquentar de fato na música seguinte, “War Pigs”. O clássico do Black Sabbath, composto há quase 40 anos atrás, venceu o teste do tempo e continua atual. Tudo nela funciona de forma perfeita numa apresentação ao vivo: a introdução pesada e lenta, acompanhada por sirenes que parecem prenunciar o apocalipse, as partes vocais que parecem ter sido premeditadamente calculadas para angariar a participação do público (que não fez feio aqui no Rio), e a cataclísmica parte final, com sua empolgante e arrebatadora acelerada, um autêntico “presto” metálico.

Seguiram-se alguns grandes sucessos da carreira solo de Ozzy, uma sucessão deles, sem deixar o pique cair um minuto. “Road To Nowhere” (do multi-platinado álbum “No More Tears”, que relançou Ozzy ao estrelato em tempos de MTV) e “Crazy Train”, com o solo original de Rhoads sendo bem interpretado por Wylde, que continuava a desfilar suas várias guitarras (incluindo uma modelo Flying V Randy Rhoads, algumas Les Paul signature suas, uma SG de braço duplo, etc.). Foi hora de uma pausa para Ozzy, que se deu através de um longuíssimo solo de Zakk, que durou (pasmem!) cerca de 10 minutos. Há quem goste, mas acho uma total perda de tempo, tendo em vista a quantidade de solos dentro das próprias músicas, além do que acaba por cansar os ouvidos da platéia. Mais sensato seria a banda toda levar algum tema instrumental durante a saída do líder (com direito, é claro, a solos de Zakk!).

Bem, de volta à música, foi a vez de mais um clássico do Sabbath, “Iron Man”, que agora virou até tema de trilha sonora de filme hollywoodiano (“Homem de Ferro”). Como qualquer clássico sabbathiano, levantou até mesmo os bêbados ou chapados que estavam até então jogados em algum canto. Os bares? Estavam às moscas nessa hora, é fato. Pena que não tenham tocado a versão completa, com a parte mais rápida ao seu final. O pique não podia cair, e emendaram em “I Don’t Know”, que durante muitos anos foi a música de abertura dos shows. Nas partes instrumentais, Ozzy seguia o seu tradicional rito de arremessar baldes e mais baldes de água na galera, que adorava. Dizem as más línguas que havia um segurança que andava a catar para si próprio as palhetas arremessadas por Zakk e que o público não conseguia alcançar, provavelmente com o intuito de tentar vendê-las após o show. Por coincidência ou não (quem sabe se Zakk não deu um toque em Ozzy), toda a água um dos baldes foi parar na cabeça do dito cujo, que teve continuar estático pelo resto do show inteiro com seu terno literalmente ensopado. A galera se divertiu ainda mais...

E, finalmente, um momento surpresa acabou por surgir: Ozzy anunciou “No More Tears”, talvez o maior sucesso de sua carreira solo por essas bandas, e que não vinha sendo tocada nos shows mais recentes. A galera, é claro, foi ao delírio. Um breve problema técnico no baixo de Blasko exigiu do Madman uma rápida sacada espirituosa, mas logo em seguida a música teve início, tendo seu refrão cantado por todos. O interlúdio instrumental em sua metade deu destaque ao tecladista Adam Wakeman, e em seguida Zakk Wylde detonou seu tradicional solo (talvez o mais bonito que já compôs para uma música do Ozzy). De alma (e, para o pessoal das primeiras filas, a cara também) lavada, o final da apresentação foi se aproximando. A nova balada “Here For You” proporcionou o indefectível momento “isqueiros e celulares ao alto”, com os braços balançando numa coreografia orquestrada pelo próprio Ozzy. “I Don’t Want To Change The World” foi a última antes da saída para o bis. Talvez a escolha de tantas músicas do mesmo disco (“No More Tears”) seja o único ponto desbalanceado do set, porém a popularidade delas é clara. E, afinal de contas, “I Don’t Want To Change The World” deu um Grammy ao Ozzy.

A rápida volta para o bis ocorreu com mais uma canção repleta de prêmios e boas colocações nas paradas, “Mama, I’m Coming Home”. Depois dessa, só faltava mesmo o fecho com mais uma clássica e infalível do Sabbath, “Paranoid”. Aí ocorreu o inesperado. Zakk Wylde simplesmente arremessou sua guitarra (na oportunidade, uma Gibson Chet Atkins) no público localizado na pista. A audiência, incrédula, se dividiu entre os que queriam simplesmente tocar no instrumento, os que literalmente queriam um pedaço para levar para casa, e os que trataram de sair de perto da confusão armada. Seguranças, da casa e da banda, surgiram rapidamente de todos os lados, tentando recuperar o instrumento. Enquanto isso, “Paranoid” rolava só com baixo, teclado e bateria. Então, o mais inusitado acabou ocorrendo: Zakk se atirou no meio do público. Depois de algum tempo, porém, cansou e retornou ao palco. Pouco depois, os seguranças recuperaram sua guitarra ou, melhor dizendo, o que restou dela. A mão (“headstock”) havia sido arrancada, e provavelmente outras peças menores, além das cordas, é claro. Zakk recebeu a guitarra e, com pinta de irritado, simplesmente jogou-a de lado, no chão perto dos amplificadores. A essa altura, o show já havia se encerrado, e Ozzy convocou todos os músicos a se abraçarem na frente do palco e agradecer ao público, naquela hora completamente extasiado. Zakk, meio contrariado, participou da confraternização, sendo consolado por Mike Bordin. Vamos aguardar para ouvir a versão dele (Zakk) sobre o incidente (há registros de casos bem parecidos em outros shows).

Conclusão final: Ozzy pode estar lá com seus quase 60 anos, apresentando seqüelas decorrentes de anos de abuso de álcool e drogas, tremedeiras oriundas da Síndrome de Parkin (enfermidade genética e relativamente branda que o acomete), e outras coisas mais. Entretanto, quando sobe no palco, mostra que nasceu para isso, e que poucos podem se comparar a ele. Sua voz está em bom estado (as eventuais desafinadas ocorrem há muitos anos), ele transborda carisma, e nitidamente curte tanto os shows quanto seus fãs. Longa vida ao “Príncipe das Trevas”, e que retorne em breve conforme prometeu nos shows!

Setlist:

- I Don’t Wanna Stop
- Bark At The Moon
- Suicide Solution
- Mr. Crowley
- Not Going Away
- War Pigs
- Road To Nowhere
- Crazy Train
- Zakk Wylde guitar solo
- Iron Man
- I Don’t Know
- No More Tears
- Here For You
- I Don’t Want To Change The World

Bis:

- Mama, I’m Coming Home
- Paranoid

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Deep Purple – Citibank Hall – Rio de Janeiro, RJ – 22/02/2008

Texto e fotos: Rodrigo Werneck

Talvez a banda internacional de rock que mais tenha se apresentado no Brasil nos últimos anos, o Deep Purple novamente aportou por essas pradarias para nada mais, nada menos, do que a sua terceira visita durante a atual turnê de divulgação do CD “Rapture of the Deep”, lançado em 2005.

Para quem já perdeu a conta, essa foi a oitava vinda do grupo ao país, sendo que nos últimos 5 anos eles vieram 4 vezes. De comum em todas as visitas, apenas a presença da cozinha formada por Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria). As 4 primeiras incluíram ainda o tecladista original Jon Lord: a estréia (por aqui) em 1991 (turnê do disco “Slaves & Masters”, ainda com Ritchie Blackmore na guitarra, mas sem Ian Gillan nos vocais, pois na época o polêmico Joe Lynn Turner estava no posto), 1997 (turnê do “Purpendicular”, já com Gillan de volta, e com Steve Morse na guitarra), 1999 (turnê do “Abandon”), e 2000 (turnê do “remake” do lendário “Concerto For Group And Orchestra”, incluindo orquestra e vários convidados especiais, entre os quais Ronnie James Dio). As 4 mais recentes, já apresentaram o substituto Don Airey no comando das teclas: 2003 (turnê do “Bananas”), 2005 (primeira visita da turnê do “Rapture of the Deep”), 2006 (segunda visita na mesma turnê), e agora em 2008.

Um show do Deep Purple é sempre uma experiência gratificante. A banda gosta do que faz, tem 40 anos de experiência e entrosamento (bem, pelo menos 3/5 da sua formação atual), e transpira técnica e feeling em iguais proporções. O repertório tem sido nos últimos anos uma bem selecionada mescla de clássicos com material mais novo, em especial do disco sendo divulgado. Por conta disso, não poderiam ficar de fora as indefectíveis “Highway Star”, “Black Night”, “Strange Kind Of Woman”, ”Space Truckin’”, “Lazy”, “Pictures Of Home” e “Smoke On The Water”. Afinal, o Deep Purple conseguiu o que muitas bandas clássicas dos anos 70 tentam, e não conseguem: renovou seu público, e muitos jovens têm descoberto sua música agora no século XXI. Logo, a inclusão dos antigos clássicos se torna obrigatória, por mais que os fãs “hardcore” (no sentido literal da palavra) peçam por variações de repertório, e a inclusão de músicas menos conhecidas do grande público. De qualquer forma, para saciar tais fãs, duas pérolas do passado foram sacadas: “Into The Fire” (do disco “In Rock”, de 1970) e “Mary Long” (do “Who Do We Think We Are”, de 1973). Além dessas, houve também a saudosa e inesperada inclusão de “The Battle Rages On”, do disco homônimo (de 1993), último de Ritchie Blackmore no grupo. A climática “Perfect Strangers”, que deu nome ao disco de retorno da banda, em 1984, já virou um clássico aqui no Brasil, no mesmo nível das músicas dos anos 70 (época na qual o grupo foi mais popular). Como sempre, foi cantada em uníssono pela platéia, num volume por vezes suplantando o próprio vocal de Gillan.

Do material mais recente, foi incluída “Contact Lost, uma pequena música instrumental que fechou o CD “Bananas”, e que foi composta em homenagem à astronauta indiana Kalpana Chawla, falecida no acidente com a espaçonave Columbia em 2003. Ela era fã do DP e levou alguns discos da banda para ouvir no espaço, sendo que os CDs foram encontrados nos escombros e seus restos usados pela NASA em placas feitas em homenagens póstumas. Aqui, a música serviu de introdução ao solo de Morse, que mais uma vez repetiu o truque de tocar vários riffs conhecidos de outras bandas. A “classicosa” instrumental “The Well-Dressed Guitar” destacou o entrosamento entre Morse e Airey, embora a música tenha sido composta ainda na época na qual Jon Lord fazia parte do grupo (e tenha sido tocada com ele em shows de 2002, pouco antes de sua saída). Originalmente foi gravada nas sessões do disco “Bananas”, mas só veio a aparecer no CD bônus do disco seguinte, “Rapture of the Deep”. Da mesma forma, a boa “Things I Never Said” também faz parte do mesmo CD bônus, uma escolha de certa forma inusitada, portanto, para o repertório fixo ao vivo. As demais músicas fazem parte da edição normal do último disco: “Kiss Tomorrow Goodbye” e a ótima “Rapture of the Deep” e sua melodia com influências orientais, uma espécie de “Perfect Strangers” da era Morse, já bem conhecida do público brasileiro.

Alguns aspectos, porém, diminuíram o brilho do espetáculo, dessa vez. Após a abertura dos trabalhos pela correta e vibrante banda Inquisição, os alto-falantes anunciaram um problema com equipamentos que teriam ficado retidos em São Paulo, e dessa forma chegado com atraso ao Rio. Por conta disso, o show do Deep Purple somente começou por volta das 23:30h, e acabou tendo sua duração reduzida: deixaram de tocar “Sometimes I Feel Like Screaming” (do disco Purpendicular, de 1995) e a primeira música do bis, “Hush” (que teria ainda incluído um solo de Paicey). Bem, teria sido uma perda maior se tivessem deixado de tocar “Loosen My Strings” (também do “Purpendicular”), inédita em shows no Brasil e que vinha fazendo parte do repertório até chegarem à América Latina (quando a substituíram por “Sometimes...” no set). O atraso para o início, somado a um aparente cansaço da banda, ocasionou uma performance um pouco menos vibrante do que nas visitas mais recentes. O show de 2006 (no Riocentro), por exemplo, foi claramente superior. Ian Gillan, por exemplo, estava com a voz nitidamente cansada nesse último show, e se poupou de dar os seus tradicionais agudos (o que não ocorreu em 2006, muito pelo contrário), embora tenha cantado corretamente todo o restante.


Bem, Gillan já anunciou que este ano a banda pretende gravar um novo disco de estúdio, logo podem escrever: em 2009 teremos mais uma oportunidade de conferir a classe dos “Purps” por aqui... Ótimo!

Setlist:

- Pictures Of Home
- Things I Never Said
- Into The Fire
- Strange Kind Of Woman
- Rapture Of The Deep
- Mary Long
- Kiss Tomorrow Goodbye
- Contact Lost
- Steve Morse guitar solo
- The Well-Dressed Guitar
- The Battle Rages On
- Lazy
- Don Airey keyboards solo
- Perfect Strangers
- Space Truckin'
- Highway Star
- Smoke On The Water

Bis:
- Roger Glover bass solo
- Black Night

domingo, 28 de outubro de 2007

Glenn Hughes – 28/10/2007 – Circo Voador, Rio de Janeiro

Texto: Rodrigo Werneck
Fotos: Pedro Paulo Moreira

Em mais uma passagem pelo Brasil, finalmente o baixista e vocalista Glenn Hughes se apresentou no Rio de Janeiro. O local escolhido foi o Circo Voador, cada vez mais um espaço aberto aos shows de rock, na efervescente e rejuvenescida Lapa.

A banda elencada para fazer a abertura foi a mediana Escaleno, que baseou seu repertório em material próprio, cantado em português, e vários covers. Nada digno de registro, infelizmente, e portanto boa parte do público presente aproveitou para se refrescar na área aberta do local, bebendo uma cerveja gelada (e bem menos cara do que em outras casas de shows do Rio).

Eram 10:25h quando o produtor do show adentrou o palco para anunciar a atração principal, não sem antes fazer um manifesto conclamando os fãs de rock cariocas a prestigiarem os eventos por ele produzidos, como forma de trazer mais apresentações para o Rio. Nada mais justo. Aproveitou para anunciar shows de Joe Lynn Turner (ex-Deep Purple e Rainbow) e outros, com possibilidades até de trazer a lendária banda de southern rock Lynyrd Skynyrd. É ver para crer, fiquemos então com os dedos cruzados...

Logo a seguir, apagaram-se as luzes e subiram ao palco os 3 músicos que acompanham Hughes nessa turnê: o guitarrista J.J. Marsh (parceiro de longa data), o tecladista Ed Roth e o baterista Stephen Stevens. Banda coesa, competente, mas não brilhante, acabou por segurar a onda nas músicas da carreira solo de Hughes, porém deixou um pouco a desejar nos clássicos do Deep Purple. Marsh emula bem as partes de guitarra de Blackmore, porém sem a mesma classe, e Roth toca nota por nota os solos de Hammond de Lord, mas falta algo (a palavra “carisma” me vem à mente). O baterista Stevens, principalmente, deixa bastante a desejar com sua pegada pesada porém um tanto quanto “dura”, sem direito a viradas ou variações maiores.

Por falar em clássicos do DP, foi justamente com a arrebatadora “Stormbringer” que o show abriu, com a aclamada entrada de Glenn e seu baixo Fender Jazz Bass e calça boca-de-sino. Mais anos 70, impossível. Público conquistado logo de cara, o termômetro continuou indicando temperatura alta com “Might Just Take Your Life”, com grande participação do público. Logo ao final da segunda música, Glenn manifestou pelo microfone que já considerava esse o melhor show da turnê pela América do Sul (resta saber se não falou o mesmo em todos os outros), que estava extremamente satisfeito em visitar o Rio pela primeira vez, e que era difícil de acreditar que nunca tivesse vindo antes. Aliás, a interação entre público e artista foi enorme durante as quase duas horas de show, rendendo vários comentados entusiasmados do próprio Glenn.

Conforme consenso entre todos os presentes, a voz de Hughes está em excelente estado. Isso ficou patente logo de cara, pois ele não se furtou a repetir todos os agudos constantes das versões originais do Purple. Sabe-se que o período sabático forçado pelo uso de drogas pesadas pelo qual o vocalista passou nos anos 80, uma semi-aposentadoria temporária, certamente o auxiliou a manter a voz em bom estado, afinal, as cordas vocais envelhecem em função de sua utilização. Mas “The Voice of Rock” é de fato um apelido pertinente. No baixo, mostrou a competência e a solidez de sempre, chegando a fazer algumas firulas em determinados momentos.

As músicas de sua carreira solo foram recebidas com mais frieza pelos presentes, mas de qualquer forma a mistura de hard rock com funk, sua especialidade, soou bem e ajudou a dar uma boa dinâmica ao espetáculo. Entre elas, destaque para “Don’t Let Me Bleed”, uma homenagem a uma antiga namorada que o abandonou pelo seu melhor amigo (dizem os Purple-maníacos que se trata de Jon Lord, ex-tecladista do DP), e que oscilou entre momentos balada e outros de mais peso. “Soul Mover” foi outro bom tema, com seu refrão contagiante.

Entre os clássicos do Purple, estiveram presentes no setlist ainda uma longa versão de “Mistreated” e “You Keep On Moving” (ambas cantadas em uníssono pela audiência), mais a funkeada “Gettin’ Tighter” (na qual homenageou o finado e saudoso guitarrista Tommy Bolin, que substituiu Ritchie Blackmore no Purple em 1975). “Mistreated” é uma música de grande apelo em concertos, embora quem melhor interprete sua letra seja mesmo David Coverdale, por melhor que Hughes cante (minha versão preferida, entretanto, ainda é a do “On Stage”, disco ao vivo do Rainbow com performances magistrais de Blackmore, Cozy Powell e Dio). O final apoteótico, como não poderia deixar de ser, teve “Burn”, na qual o show literalmente pegou fogo, com algumas pessoas subindo no palco e sendo atiradas de volta. O que, por sinal, rendeu uma cena inusitada: um sujeito foi arremessado de volta à área destinada à platéia, mas não se fez de rogado e mandou um “stage diving” com estilo. Ele só não podia esperar que ninguém iria se prontificar a segurá-lo, o que de fato ocorreu, e um sonoro estabaco o mancebo levou.

E, por volta das 0:20h, o show foi encerrado. Apenas 11 músicas tocadas, em versões em vários casos longas, resgatando o espírito de improviso dos shows antigos, algo muito bem-vindo por sinal. Ficou a sensação de “quero mais”, que poderá ser pelo jeito saciada em meados do próximo ano, quando Glenn Hughes e banda provavelmente retornarão para mais shows no Brasil, divulgando o novo CD que será gravado agora em novembro (Glenn anunciou que retornará em junho de 2008). A escolha do repertório foi boa, mas faltaram alguns clássicos do Trapeze, como “Seagul”, “Medusa” e “Coast To Coast”. Quem sabe no ano que vem?

Setlist:

- Stormbringer
- Might Just Take Your Life
- Land o' The Living
- Mistreated
- You Got Soul
- Don't Let Me Bleed
- Gettin' Tighter
- Steppin' On
- You Keep On Moving

Bis:

- Soul Mover
- Burn

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Steppenwolf – 5/09/2007 – Vivo Rio, Rio de Janeiro

Texto: Rodrigo Werneck e Marcelo Spindola Bacha
Fotos: Pedro Paulo Moreira


Em sua quarta visita ao Brasil, e anunciando a sua aposentadoria após 40 anos de uma carreira recheada de sucessos, a banda norte-americana Steppenwolf não decepcionou aqueles que compareceram aos concertos. No Rio, um público modesto de cerca de 600 pessoas compareceu, provavelmente devido à divulgação pouco eficiente e à falta de interesse do público em geral. Mas a agitação compensou os eventuais buracos na platéia, e a banda reconheceu e retribuiu com mais um vibrante show. Contando em sua formação com o líder, vocalista e guitarrista John Kay (ou Joachim Fritz Krauledat, como nativamente registrado na então Prússia Oriental, há 63 anos atrás), mais o guitarrista solo Danny Johnson (ex-Alice Cooper, Alcatrazz, Rod Stewart, Rick Derringer, etc.), o tecladista Michael Wilk (também webmaster do grupo) e o baterista Ron Hurst, o Steppenwolf destilou uma série de clássicos de sua várias fases, satisfazendo a todos os presentes.

Previsivelmente, os trabalhos foram abertos com “Sookie Sookie”, primeira faixa do primeiro álbum da banda (gravado em 1967 e lançado no ano seguinte), e tradicional número de abertura dos shows do Steppenwolf. O prosseguimento se deu sem muitas surpresas, sendo que, com um repertório tão extenso à disposição, Kay poderia ter ousado um pouco mais, mantendo ainda os números clássicos no repertório. Nem mesmo as estórias contadas entre as músicas (dessa feita traduzidas por um membro da produção local) mudam muito.

Musicalmente, o conjunto se mostrou tão afiado quanto nas visitas anteriores. O tecladista Michael Wilk (na banda há 25 anos) estava munido de um autêntico órgão Hammond, com sua respectiva caixa rotativa Leslie, e extraiu sonoridades sensacionais do instrumento, extremamente fiéis às versões originais. E, como se não bastasse, além de brincar com um “keytar” Korg (um daqueles teclados em formato de guitarra que tanto fizeram sucesso nos anos 80), ainda ficou a cargo da execução dos baixos, já que a banda abdicou da figura de um baixista propriamente dito desde os anos 80. No mesmo nível de excelência musical encontra-se o guitarrista Danny Johnson, o integrante mais recente do time, tendo se juntado aos companheiros há aproximadamente 10 anos. Tocando a maior parte do tempo com uma Gibson Les Paul marrom linda, Danny exibiu sua técnica impecável, com uma bagagem completa de recursos de blues, rock e jazz. É um músico muito experiente, e fornece todo o background para que John eventualmente execute seus trechos de slide guitar (uma Rickenbacker negra, lindíssima também) com total segurança, se não de forma virtuosa, pelo menos com bastante desenvoltura. Ron, o baterista, também na equipe desde os anos 80, cumpriu satisfatoriamente bem o seu papel, reproduzindo as batidas originais com precisão e discrição.

Dentre as músicas principais da época áurea da banda (oito discos lançados entre 1967 e 1972, quando encerraram as atividades pela primeira vez), foram tocadas “Snowblind Friend” (tradicional libelo antidrogas), “Hey Lawdy Mama” (uma música tocada ao vivo desde 1968, mas que, curiosamente, teve sua gravação em estúdio somente editada no álbum "Live", de 1970), “Rock Me” (do álbum “At Your Birthday Party”, de 1969), “Hoochie Coochie Man” (de Willie Dixon, gravada no primeiro disco, onde John faz sua homenagem ao blues de modo geral e a seu ídolo Muddy Waters, famoso intérprete da canção) e “Magic Carpet Ride” (do “Second”, também de 1969), um dos “hinos imortais” da psicodelia americana do final dos anos 60. A voz de John Kay, bastante preservada e com um timbre incrivelmente parecido com o de 40 anos atrás, emana uma forte carga histórica, suscitando imagens nostálgicas poderosas no público de diversas idades presente.

Outra composição de execução obrigatória, “Monster” (do álbum homônimo, de 1970, onde é creditada como “Monster/Suicide/America”), veio acompanhada do tradicional discurso “anti-establishment” (George Bush foi a vítima, pra variar). É sempre válido o artista se expressar, e John Kay é uma figura carismática e inteligente, com posições coerentes. Entretanto, seus discursos pouco acrescentam às músicas, pois as letras já possuem um conteúdo marcante, sendo muitíssimo bem escritas, concisas e com mensagens bastante claras, que falam por si só (ao contrário de muitas bandas “revolucionárias” dos anos 60/70, com textos empolados e muita confusão ideológica). É esse o caso, por exemplo, de “Move Over” (do mesmo álbum, talvez o mais “politizado” dentre os da época), também executada nessa noite.

A grande surpresa desse show em especial foi a inclusão da música "Screaming Night Hog", lançada em compacto de 1970 (um mês antes do disco "Seven"). É uma composição relativamente curta, característica de grande parte das faixas antigas da banda, mas com um riff de guitarra muito inspirado, onde John mostra um pouco da sua técnica com a gaita (presente também em um solo durante “Hoochie Coochie Man”).

Com tantas músicas para tocar em tão pouco tempo, poucas músicas mais recentes foram incluídas. Nesse aspecto, também não houve surpresas: a banda se ateve ao material do final dos anos 80, quando passaram a ser conhecidos como “John Kay & Steppenwolf”, mais precisamente dos discos “Paradox” (1984, tocaram “Tell Me It’s All Right”), “Rock’n’Roll Rebels” (de 1987, com “Hold On – Never Give Up, Never Give In” e a faixa-título) e “Rise & Shine” (de 1990, também a música-título).

Para o fechamento do show e o bis, tivemos, respectivamente, “Born to Be Wild” e “The Pusher” (antológica canção sobre drogas do músico country Hoyt Axton, gravada no primeiro disco da banda e executada ao vivo desde os tempos do Sparrow, formação pré-Steppenwolf a que John Kay veio a se integrar em 1965). Basta dizer que esse era o único fecho possível para um show e para uma carreira, exatamente o que todos estavam ali para ouvir e para celebrar.

Depois do Rio, o grupo seguiu para um show em Brasília, dois dias depois, realizado durante um festival de motociclistas, no que viria a ser a penúltima aparição ao vivo da história da banda (a derradeira apresentação teria vez um mês depois, no dia 6 de outubro de 2007, no Ripken Stadium em Aberdeen, Maryland, nos EUA). John Kay anunciou que a partir de agora irá se dedicar à fundação filantrópica de sua esposa, a “Maue Kay Foundation”. Aos fãs do Steppenwolf, restam as memórias de uma banda que permaneceu íntegra até seu fim, deixando os palcos de cabeça erguida.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Keane – Citibank Hall, Rio de Janeiro – 20/04/2007

Texto: Rodrigo Werneck
Fotos: Juliana Lameirão

Pelos PA’s ainda se ouvia a música ambiente (um rap que nada tinha a ver com a noite), quando as luzes do Citibank Hall se apagaram e o tecladista Tim Rice-Oxley irrompeu palco adentro, para súbito delírio dos presentes. Era o trio inglês Keane, queridinhos da nova geração do chamado britpop.

Logo na faixa de abertura, a instrumental “The Iron Sea”, os ingleses mostraram que levam sua música bastante a sério, e pelo que deu para perceber pelo show como um todo, têm um bom futuro pela frente, pois são consistentes. Comparados quando surgiram ao Coldplay, na realidade mostraram que possuem identidade própria. Completam o trio o (talentoso) vocalista Tom Chaplin e o (limitado, porém competente) baterista Richard Hughes. Aliás, uma formação inusitada que gera dúvidas sobre sua eficiência: apenas teclados, bateria e voz? O lance é que funciona muito bem ao vivo, com o Keane juntando um som encorpado a um carisma nato, apesar de ser uma banda ainda se habituando aos grandes públicos.

O cenário montado no palco era de grande efeito visual, com bolas sobre as quais os feixes de refletores eram jogados, mudando sua coloração dependendo do momento, o que também ocorria em relação ao que era projetado em diversas pequenas telas retangulares espalhadas pelo mesmo palco, e o que aparecia nos telões principais. Tudo compondo o clima para a música, nunca roubando sua atenção. Uma passarela foi montada em frente ao palco, para que Tom Chaplin pudesse volta e meia se deslocar e cantar rodeado pelo público, numa interação que funcionou sempre a contento. Além disso, ao seu final foi montado um “palquinho” auxiliar, como veremos a seguir.

O hit “Everybody’s Changing” fez o Citibank Hall tremer, com os fãs se esgoelando para se fazer ouvidos no refrão dessa que foi a primeira música da banda a estourar nas rádios. Em determinado momento, e criando um clima meio intimista da mesma forma que os Rolling Stones fizeram em seu já lendário show na Praia de Copacabana (aquele cujos números ditos “oficiais” indicavam a presença de 1,2 milhão de pessoas, apesar de que na verdade tinha lá aproximadamente a metade disso aparecido), os 3 integrantes do Keane se dirigiram à extremidade da passarela, onde ficava o tal segundo palco, e lá tocaram músicas mais acústicas: “The Frog Prince” (Chaplin ao violão), “Hamburg Song” e “Fly To Me”. O truque surtiu efeito, e o público curtiu a proximidade.

O pique do grupo não caiu no decorrer da apresentação, e mais sucessos foram apresentados, como “Somewhere Only We Know” e “Is It Any Wonder?”. Vale ressaltar que Tom Chaplin tem uma ótima comunicação com a platéia, demonstrando firmeza e experiência apesar da sua cara de menino. O tecladista Tim Rice-Oxley (quase homônimo do famoso letrista) é o grande talento da banda, do ponto de vista musical, pilotando sua tecladeira com grande competência, com destaque aos pianos elétricos (Fender Rhodes e afins). O baterista Richard Hughes segura a peteca, sem precisar abusar de recursos que não possui. É interessante notar que numa banda que não possui baixista, o bumbo de sua bateria é colocado com volume bem alto na mixagem propositalmente, de forma a fortalecer os timbres graves. Nesse estilo de música, acaba funcionando suficientemente bem.

Mais 3 músicas tocadas no bis acompanhadas em uníssono pela audiência, e nada de covers, que chegaram a ser especulados anteriormente (The Cult, The Who, etc.). O Keane soube chupar bem influências de outras bandas inglesas como Queen, Who, Coldplay e dos irlandeses do U2, e a partir daí criar o seu próprio som. Com um animado público que devia estar em suas 3.500-4.000 pessoas, o show não foi nada mal para uma estréia no Brasil (ou, no caso, no Rio).

Setlist:

1. The Iron Sea
2. Put It Behind You
3. Everybody’s Changing
4. Nothing In My Way
5. We Might As Well Be Strangers
6.
Bend And Break
7. Try Again
8. The Frog Prince9.
Hamburg Song
10. Fly To Me
11. Leaving So Soon?
12. This Is The Last Time
13. A Bad Dream
14. Somewhere Only We Know
15. Is It Any Wonder?

Bis:
16. Atlantic
17. Crystal Ball
18. Bedshaped